May 18
“Os responsáveis da crise da educação são os fazedores das políticas educativas”(3) PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Ricardo Sousa   
Quinta, 05 Abril 2012 07:58

“Os responsáveis da crise da educação são os fazedores das políticas educativas”(3)

Aponta o Barómetro da Educação Básica em Moçambique.

Hoje vamos abordar o terceiro pilar, relativo ao saber viver juntos, que tem a ver com competências inter-pessoais ou societais de índole axiológica.
 

O terceiro pilar proposto pelo estudo tem a ver com aquilo que os autores do estudo designam por “Aprender a viver juntos”. O estudo diz que o nosso país não está isento do risco da fragmentação de origem sócio, político e religiosas. “Se logo depois da independência nós declarámos o sacrifício da etnia a favor da nação, logo depois da chamada Segunda República vemos surgir organizações que defendiam os ‘amigos’ de Gaza, Maputo, Inhambane, Quelimane, Zambézia. Em segundo lugar, vimos surgir um fenómeno de ‘recialização’ que não conhecia precedentes. No Moçambique pós-democrático renasceram ‘pretos’, ‘brancos’, ‘mistos’, ‘indianos’ e agora vieram os chineses, o que significa um processo de racionalização crescente e preocupante”.

 

Do ponto de vista religioso, o estudo refere que Moçambique é membro das religiões tradicionais, muçulmanas, cristã com as suas múltiplas confissões, mas é também budista e hinduísta. Contudo, as metamorfoses que se produziram neste espaço sociocultural fizeram com estes grupos aprendessem a viver juntos, o que em termos políticos “chama-se tolerância”, componente essencial para uma convivência civil na sociedade contemporânea.

 

O estudo chama atenção que se as confissões religiosas, durante as guerras ditas civis, contribuíram juntas no processo de reconciliação, “hoje vemos aparecer confissões religiosas radicalizadas e réstias a um diálogo inter-religioso. É o caso da Igreja Universal do Reino de Deus, Aga Khan, ou mesmo de um grupo radical islâmico - o número de senhoras e meninas com caras tapadas, o que nunca tinha acontecido, aumenta - que se inspira mais no islão da Arábia Saudita ou do Paquistão, contra um Islão moçambicano tolerante, de inspiração egípcia”.

 

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